De Sucre a Potosí são 3 horas de ônibus, 17 bolivianos por pessoa mais aquela propina básica de 3 bo que eles sempre cobram. A estrada é incrível, tem ônibus de hora em hora pra subir os quase mil metros que Potosí tem a mais em altitude. (4000)
Muito mais frio, mais difícil de respirar, ruinhas bastante estreitas: Potosí é uma cidadinha aparentemente sem graça. Mas guarda um tesouro: suas minas. Essa é a grande atração da cidade.
No hostel onde ficamos (Koala Den), eles oferecem o passeio das minas por 100 bolivianos por pessoa. Você acorda, toma seu café da manhã numa mesa gigante com outros 30 mochileiros gringos e famintos, ganhando seu pão frio com mantequilla e marmelada, panqueca, banana, ovos revueltos e uma opção de té, chocolate ou café (brasileiros, um aviso: o café na Bolívia é horroroso!), sai bastante alimentado rumo a uma espécie de galpão onde eles separam os grupos por guias (em geral homens que já trabalharam nas minas), dão todo o equipamento (calças, botas, capacete com lanterna). Entonces, às minas!
Paramos numa lojinha no caminho pra comprar regalos pros mineiros. O grupo decide o que quer dar a eles: água, refri, dinamites. O guia nos abençoa com uma pequena dose de álcool (zulu!), e é aí que se começa a entender onde estará se metendo...
Subimos a montanha, mais e mais. São 15 mil mineiros que trabalham diariamente nas minas em condições sub-humanas - mal comem, ficam de 8 a 12 horas enfiados na terra respirando fuligem e tendo que lidar constantemente com os contrastes de temperatura (fora da mina faz 5 graus, dentro faz 40) e com a iminente possibilidade de morrer - seja preso alí embaixo se houver uma explosão infortuna; seja de exaustão aos 35 anos de idade, média de vida de um mineiro. E, diga-se de passagem, trabalham por misérias e nem sempre encontram o que estão procurando. O guia nos disse que o "tesouro"está acabando, já são mais de 400 anos de exploração mineira em Potosí!
A mina tem 3 níveis de subsolo, no início do segundo as coisas começam a complicar (eu parei alí), mas os corajosos que sigam adiante e ajudem os mineiros lá em baixo a carregar o carrinho de toneladas debaixo da madre tierra.
Voltamos no meio do dia. Dá pra fazer mais coisas na cidade como visitar a igreja, comprar artesanias (em Potosí são lindas!) e visitar o convento das carmelitas (a visita guiada é bastante envolvente). Vale a pena!
Próxima parada: Uyuni.